Acordar com o celular vibrando.
Responder e-mail antes de escovar os dentes.
Resolver pendências do dia anterior às 6h da manhã.
Encerrar o expediente… sem conseguir realmente desligar.
Se você é bancário ou bancária, esse ritmo já é familiar. Mas agora ele tem nome, dados e alerta global.
Segundo o novo relatório Work Trend Index 2025 da Microsoft, 40% dos usuários do Microsoft 365 já estão online às 6h da manhã — muitos abrindo e-mails antes mesmo de sair da cama. O estudo mostra que um trabalhador médio recebe 117 e-mails por dia, e a maioria é lida em menos de 60 segundos.
No Microsoft Teams, a média global já é de 153 mensagens por dia útil, com crescimento de 6%. Em algumas regiões, o salto foi de mais de 20%.
O relatório define isso como um desafio urgente: a jornada de trabalho infinita.
E você sabe muito bem o que é isso.
O banco nunca fecha — só muda de canal
Quem trabalha em banco conhece esse ritmo frenético:
- Mensagens no grupo da agência fora do expediente
- Reuniões “urgentes” no horário de pico de atendimento
- Cobrança de metas enquanto se lida com crises humanas
- E a falsa ideia de que “quem aguenta mais, lidera melhor”
Metade de todas as reuniões, segundo o relatório da Microsoft, ocorrem justamente nos horários de pico de produtividade (entre 9h–11h e 13h–15h), o que compromete o foco e drena energia vital para as entregas.
Mas qual o impacto real disso nos bancários?
Essa cultura do “tempo todo disponível” gera:
- Esgotamento mental e físico
- Despersonalização emocional (você vira só a função)
- Impressão de improdutividade constante
- Culpa ao desconectar
- E o pior: normalização do absurdo
Tudo isso sem aumento de salário, sem compensação, e sem desligamento digital real.

A IA resolve? Só se for com mudança cultural
O relatório da Microsoft aponta a inteligência artificial como aliada para lidar com a sobrecarga. Mas a IA, sozinha, não resolve.
É preciso repensar a cultura bancária que transforma:
- Produtividade em punição
- Comunicação em cobrança 24h
- Lealdade em autossacrifício
Bancário, seu tempo tem valor — mesmo fora do ponto
Você não é medido apenas por metas, mas por quanto aguenta sem quebrar.
E isso não é eficiência. É abuso institucionalizado.
Chegou a hora de perguntar: Quem está te pagando pela sua energia fora do expediente?
Se você já sente que o banco entrou na sua vida pessoal com crachá e tudo, saiba: você não está sozinho(a). E isso não é “parte do pacote” — é passível de questionamento jurídico.
Fontes:
- Work Trend Index 2025 – Microsoft
- Publicação de Priscyla Laham, Presidente da Microsoft Brasil
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